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O futuro da mediação imobiliária em Portugal: mais profissionalismo, mais confiança, mais valor
O setor imobiliário está a evoluir. Mas será que todos os profissionais estão a acompanhar essa evolução à mesma velocidade?
Esta foi uma das grandes questões que marcou o episódio 26 do Let’s Get Real Estate, o podcast da iad Portugal, gravado ao vivo no Salão Imobiliário de Portugal. Numa conversa conduzida por Ricardo Marques, CEO Adjunto da iad Portugal, Daniel Neves, Daniel Henriques e Marta Valle partilharam diferentes perspetivas sobre o presente e o futuro da mediação imobiliária em Portugal.
O ponto de partida foi simples, mas essencial: num mercado com maior escrutínio, mais tecnologia, clientes mais informados e novos desafios de acesso à habitação, o papel do consultor imobiliário precisa de ser cada vez mais profissional, responsável e orientado para o valor real que entrega.
Um setor em transformação: estamos a crescer em quantidade, mas também em qualidade?
A mediação imobiliária em Portugal vive um momento de grande visibilidade. O tema da habitação está no centro do debate público, a oferta continua pressionada pela procura e os clientes chegam ao processo de compra ou venda com mais informação, mais dúvidas e maior exigência.
Neste contexto, o crescimento do número de profissionais no setor levanta uma pergunta inevitável: estamos apenas a crescer em quantidade ou estamos também a elevar a qualidade do serviço prestado?
A resposta dos convidados aponta para uma evolução clara. O consultor imobiliário já não é visto apenas como alguém que mostra imóveis ou acompanha visitas. É, cada vez mais, uma peça fundamental para ajudar clientes a tomar decisões informadas, seguras e alinhadas com os seus objetivos de vida.
“O consultor é mais profissional hoje, tem acesso a mais informação e está focado em servir o seu cliente cada vez melhor.” – Daniel Neves, iad Portugal
Do “abrir portas” ao papel estratégico do consultor imobiliário
Uma das ideias mais fortes do episódio é a necessidade de ultrapassar a visão limitada do consultor como alguém que “abre portas”. Hoje, o cliente tem acesso a muita informação online, desde valores de mercado a tendências, documentação e características dos imóveis.
Mas informação não é o mesmo que orientação. E é aqui que o consultor ganha relevância.
“Hoje em dia a entrada neste setor, muita dela, já vem consciente. Já olhamos para isto como uma carreira que vale a pena ter.” – Marta Valle, KW Portugal
O valor do consultor está na capacidade de interpretar informação, antecipar riscos, gerir expectativas, acompanhar decisões emocionalmente relevantes e proteger o cliente ao longo de todo o processo. Comprar ou vender uma casa não é apenas uma transação. Na maioria dos casos, envolve património, família, mudança de vida e decisões financeiras de grande impacto.
Por isso, a mediação imobiliária exige cada vez mais conhecimento técnico, capacidade comercial, ética e proximidade humana.
Formação, regulação e ética: os pilares de uma profissão mais credível
A formação foi um dos temas centrais da conversa. Para os convidados, a evolução do setor passa por uma base mais sólida de preparação, especialmente em áreas como documentação, fiscalidade, enquadramento legal, construção nova, venda de bens futuros, análise de riscos e relação com o cliente.
A discussão tocou também na importância de regras mais claras e transversais. Não apenas para reforçar a credibilidade da profissão, mas sobretudo para proteger o consumidor final.
A ideia não é criar burocracia sem propósito. O objetivo é garantir que quem entra no setor compreende a responsabilidade que assume e tem condições para prestar um serviço sério, responsável e competente.
“Regulamentar o setor vem para prestar o melhor serviço ao cliente. Se for assim, é bom.” – Daniel Henriques, REMAX
Num mercado onde se lida frequentemente com o maior bem das pessoas, a ética não pode ser um detalhe. Tem de estar presente na forma como se aconselha, se comunica, se partilha negócio e se defende o interesse do cliente.
Tecnologia e inteligência artificial: ameaça ou oportunidade?
A tecnologia, e em particular a inteligência artificial, surge como outro grande tema para o futuro da mediação imobiliária em Portugal. O episódio não apresenta uma visão alarmista, mas antes uma leitura equilibrada: a tecnologia pode aumentar produtividade, melhorar apresentações, acelerar respostas e ajudar o consultor a trabalhar melhor.
Ao mesmo tempo, levanta novos desafios ligados ao uso dos dados, à dependência de plataformas e ao risco de despersonalização do serviço.
A grande conclusão é que a inteligência artificial não substitui automaticamente o consultor. Pode apoiar, acelerar e melhorar processos. Mas a relação entre pessoas continua a ser central na mediação. O cliente pode pesquisar, comparar e usar ferramentas digitais, mas continua a precisar de confiança, contexto, escuta e acompanhamento.
O que vai continuar a fazer a diferença: relação, confiança e presença
Num mercado mais tecnológico, aquilo que parece mais humano pode tornar-se ainda mais diferenciador: conexão, presença, confiança, valores e capacidade de estar verdadeiramente ao lado do cliente.
A tecnologia pode ajudar a escalar tarefas e tornar processos mais eficientes. Mas não substitui a confiança construída no contacto direto, na consistência do serviço, na transparência da comunicação e na capacidade de resolver problemas concretos.
Para os consultores imobiliários, a mensagem é clara: adaptar-se à tecnologia é essencial, mas sem perder o que torna a profissão releva
O futuro da mediação imobiliária passa também pela colaboração
Outro ponto forte do episódio é a visão de um setor mais unido. Apesar de representarem marcas diferentes, os convidados convergem numa ideia importante: consultores de diferentes empresas não devem ser vistos apenas como concorrentes, mas também como potenciais parceiros de negócio.
“Eu vejo a Marta e o Daniel como parceiros de negócio, como colegas, nunca como concorrentes.” – Daniel Neves, iad Portugal
A colaboração pode elevar a qualidade do serviço, facilitar a partilha de oportunidades e colocar o cliente no centro da decisão. Quando o objetivo é encontrar a melhor solução para quem compra ou vende, a cooperação torna-se uma vantagem para todos.
No futuro, a mediação imobiliária em Portugal poderá ser mais profissional, mais preparada e mais colaborativa. Mas isso dependerá da capacidade dos profissionais de investirem em formação, adotarem tecnologia com critério, respeitarem princípios éticos e manterem o foco no cliente.
Este episódio especial do Let’s Get Real Estate mostra que o futuro da mediação imobiliária não se constrói apenas com novas ferramentas ou novas regras. Constrói-se com profissionais mais preparados, mais conscientes da sua responsabilidade e mais comprometidos com a qualidade do serviço que entregam.
Se é consultor imobiliário, está a pensar entrar no setor ou quer compreender melhor o papel da mediação no mercado atual, este é um episódio para ouvir com atenção.
Veja o episódio completo e acompanhe outros debates sobre o mercado imobiliário no podcast Let’s Get Real Estate, powered by iad.
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